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31.12.08

ticket













os dias passearam sem que dessem a chance de reencontrar os meus passos.
quando aportei em mim novamente a salinidade do verão, descarreguei um amor eterno enquanto céu.
eu vi, virei, toquei um samba e era meio-dia, o tempo me ensinou a dançar tanto que virou bossa e durante isso tudo reaprendi a cantar a música que sabia que existia em mim, ali, viva, de um presente comicamente germinal.
quantas vezes abri os olhos como se fosse a primeira vez na imensidão.

abracei a paixão das estações e, enfim, aprendi a primeira lição dos navegadores.
o que é preciso e o que não é, mas descabidamente bom.

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18.10.08

uma hora tinha que













todos os dias respondo para mim mesmo nenhuma das perguntas que precisava ter feito. todas as portas da vida estão bem nas nossas cabeças. todas as portas amontoadas ardem nas chamas de uma grande fogueira no meio do quintal. entre as plumas de cinzas que benzem o ar está o calor da brasa de um corpo inteiro de fênix. 
solto as janelas verdes, o céu é azul e entre nós só existe um mundo inteiro. tâmisa, pó, amazonas, paraíba, são francisco, carioca, todos os rios cabem em mim. portanto, tenho margens de sobra. por isso não posso ficar longe do mar.
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