25.7.12
senza macchina _ 3
25.11.11
senza macchina _ 2
fim de feira.
o cara só da banda foi embora e os fiscais já chegam.
uma bola amarela pula na escola sem quadra.
um homem negro de quase cinqüenta anos frita na jaqueta preta de couro.
ele está no meio da rua e parece fingir que fala com alguém
enquanto procura o pau perdido na braguilha aberta.
depois, disfarça uma dança andada até a sombra.
a adolescente carrega uma caixa e uma barriga morena maior que ela.
que a caixa, digo.
ela deixa para trás alguns argumentos roucos de estudantes.
talvez tenham se conhecido algum dia.
papéis, folhetos, reclames, reclamações.
carregadores-gnus, trôpegos de braços e enxertados na função eram muito maiores em seus mundos.a menina leve de blusinha verdeágua desfilava coque, nariz brilhante e sorriso fino.
era uma nascente.
do outro lado da calçada, a mulher rinoceronte fuma.
decido, então, tomar uma cerveja.
talvez esqueça a braguilha aberta.
__
senza macchina _ 1
conversávamos e a luz entrou no tempo de um café frio. ouvimos a janela no primeiro silêncio.
'como é mesmo o nome do cara que faz todos os barulhos ao mesmo tempo?'
como? 'é, na frente, atrás, por todos os lados.' com os instrumentos, você quer dizer;
'sim, com os instrumentos. é o homem de uma banda só.'
desenhei as palavras nos olhos dela durante algum instante e, quando as entendi, fui até a varanda procurar o fulano, e lá estavam a copa de amendoeira e a feira (as quintas-feiras têm as suas próprias cores) e entre uma e outra lá ia ele frisando o mercado, vestindo amarelo velho e vento.
cantava o dia com as barracas, voava música muito além do corpo. era um forró com a cara à banda e voz, tambores, pombos e escola.
____
22.12.10
19.12.10
imigração
assovio da moleira quente
.
canção no sol
enquanto esperava o tempo chegar.
o tempo não chegou
riu invisível
da minha distração.
(o tempo me contemplou)
sol também ri
até quando tempo é noite
e volta pra casa insone
pronto pra partir insípido.
pensando em letras:
daqui da janela uma fogueira
cheia de vozes ao redor
ilumina um ritual de intenções sem volta.
acordei grama pisada
sem saber se era sonho ou suor,
e não saberei de nada além azul.
sereno na lama
banhado de espírito
sujo de blu.
____
